Este é um ensaio sobre a História trágico-marítima, coletânea de relatos de naufrágios portugueses redigidos nos séculos XVI e XVII, compilados e publicados por Bernardo Gomes de Brito em 1735 e 1736. Trata-se de um trabalho de diversas narrativas examinadas ora pela ótica da sociologia histórica, ora á luz da teoria literária, ou ainda pela etnografia. O que emerge é um pequeno mundo flutuante, um mundo mônada, miniatura do mundo tal como ele existe em terra firme, com escravos e homens livres, com fidalgos e plebeus, marinheiros que gemem no convés, doentes, ou os que cantam, ao cair do sol, com capelães que orquestram novenas a Nossa Senhora, damas da corte, aias, crianças. Nesse mundo, as hierarquias se preservam até o momento da catástrofe, durante o deslastre, em que são lançados ao mar, primeiramente, os bens de propriedade dos marujos e só depois os dos oficiais os dos oficiais, dos nobres, do clero e da Coroa, nesta ordem. Há cenas, no momento de deixar o navio, como a que o capitão empunha sua espada para garantir que as pessoas de posição mais elevada possam embarcar antes dos marinheiros e dos criados nos batéis salva-vidas. Outras cenas mostram os passageiros rezando, no momento da morte, e amas usando crianças como reféns para não serem abandonadas no galeão que afunda.
- Autores: AUTOR: MADEIRA, ANGELICA
- Editora: EDITORA UNB
- ISBN: 9798523008672
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