Urda escreve sobre gente. Fala de vida. De alegrias e sofrimento. De passado e de presente. Mas com o pé no futuro. Otimista. Otimismo é recorrente em Verde Vale. Ao contar a história da família Sonne, Urda Klueger vai revelando a vida na então Colônia Blumenau, com a precisão de um pintor realista e com a emoção de uma mãe que pariu a primeira cria.
Muito já se escreveu sobre a saga da imigração alemã no Vale do Itajaí. Mas creio que Verde Vale seja o único instrumento que consegue colocar o leitor no dia a dia de uma família alemã, que deixou a sua terra natal em busca de melhores condições para viver. Faz-nos abrir o coração para compreender como e o quanto sofreu a gente de olhos claros.
Dá pra sentir o peso do machado lanhando mata adentro. Dá pra se arrepiar com a ameaça dos indígenas, que por sua vez também não compreendiam a invasão que sofriam. E como não chorar com os imigrantes, saudosos da pátria que ficou distante ou alegrar-se como eles ao ver a terra arada, a mesa um pouco mais farta, a vida seguindo, mas com rumo certo? O futuro podia ser sonhado, enfim.
Verde Vale é um livro cheio de vida. Em cada página, em cada detalhe, o sangue pulsa. Amores, paixões, medos, tragédias. A vida à margem de um grande rio. Feito ele, seguindo.
- Tânia Rodrigues, poeta e jornalista.
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